COSETTE, A ESCRITORA


Quem foi Cosette de Alencar

       Nasceu na antiga Rua da Imperatriz, hoje Marechal Deodoro, em 18 de janeiro de 1918. Filha de Gilberto de Alencar e Sofia Áurea do Espírito Santo.


       Fez seus primeiros estudos no Grupo Delfim Moreira e os estudos secundários na Escola Normal, hoje Instituto de Educação. Da Escola Normal foi Diretora posteriormente, nomeada pelo Dr. Magalhães Pinto. Aposentou-se em 1969 como Assessora Técnica Administrativa.

       "Eu era muito criança mas posso, por muito ter ouvido falar em minha casa, reafirmar que Juiz de Fora viveu no fim da primeira guerra, anos de ouro no setor cultura." (Cosette de Alencar)

       "Dos nomes que habitaram minha infância eu me recordo de Lindolfo Gomes que era vizinho nosso, meu professor muito amigo. De Belmiro Braga muito amigo de meu pai. Recordo-me muito de José Eutrópio, mulato genial, que morava na rua Marechal numa velha casinha. Celibatário, era um gênio. O homem entendia de tudo. Literatura, música, poesia e pintura. Todos os instrumentos eram por ele manejados com uma habilidade sem par." (Cosette de Alencar)

       Cosette era introvertida, modesta, grande analista da alma humana e das situações da vida social. Profunda conhecedora da música clássica, principalmente das peças e sinfonias de Bethoven, seu músico favorito que embalava suas horas de insônia e devaneios.

       A escritora aprendeu francês por esforço próprio. Agarrou-se Cosette de início a um dicionário para com grande esforço aprender a língua e assim devorar todas as brochuras de seu pai, Gilberto de Alencar. De tal modo o fez, que chegou a ser tradutora primorosa; de seu talento serviu-se a Editora Itatiaia no mesmo tempo em que por lá trabalhavam Oscar Mendes, Gilberto de Alencar, Heitor Martins, Otávio de Faria e Vivaldi Moreira.

       Herdou dos "Alencar", a grande capacidade de escrever labutando, desde sua meninice, na imprensa de Juiz de Fora. Escreveu para jornais de Belo Horizonte, Rio de janeiro, São João Del Rei, mas, se destacou, brilhantemente, no "Diário Mercantil", de sua terra natal. Manteve colunas diárias, como "Canto da Página", "Crítica Literária de Livros", "Rodapé Dominical" Suas crônicas, na opinião abalizada do Juizforano, eram lidas com admiração e orgulho, por todos que a conheciam e também por aqueles que não tiveram o prazer de sua convivência. Dotada de grande sensibilidade artística, suas crônicas eram um hino de beleza à natureza, transbordantes de fé, caridade e amor fraternal. Escreveu, também, a última página da revista "Alterosa" de Belo Horizonte, tendo sido considerada, em 1967, a melhor cronista do estado. Sua obra prima foi "Giroflê-Giroflá", único romance que escreveu e que foi considerado pela imprensa oficial, um dos melhores romances da época.

       Seus livros de cabeceira eram a "Comédia Humana", de Balzac e "A la recherche du temps perdu" de Marcel Proust.

       Profundamente introspectiva Cosette não era pessoa de muitas amizades mas as poucas que cultivava fazia-o com imensa ternura e fidelidade.

       Cosette escreveu centenas de crônicas, quase todas intimistas e todas preciosas. "Nota-se a sutileza de seu espírito, o amor à vida bucólica e uma acentuada influência Machadiana. Giroflê-Giroflá é um livro afinado com o tempo e o ambiente mineiros e que se torna mais atraente ainda em virtude da pureza da linguagem, da coesão e equilíbrio existente entre os numerosos capítulos."

       Escreveu sua última crônica - PAZ - seis dias antes de falecer, em 10 de julho de 1973, em sua residência. A pedido dos Poderes Executivo e Legislativo, seu corpo foi velado na Câmara Municipal. Com homenagem, dá nome à Escola Municipal Cosette de Alencar.